Sintomas de avô e de avô, certamente, são o
da alegria, do contentamento, da emoção e da felicidade. Que confirmem meus
colegas avós seus mais profundos sentimentos por esta passagem da vida. Ela não
tem data, nem um tempo definido. Às vezes acontece precocemente, doutras, num
dado tempo ao qual nos caiba escolher. Somos coadjuvantes do fato.
Uma professora que passou pela escola em que
trabalhava até recentemente, um dia, ao saber de minha condição de futuro avô, me
disse: - que alegria, diretor, você poder escrever um livro de histórias para o
seu neto Theo, que terá o privilégio de ter um livro produzido pelo avô e, com
ele, aprender muito das coisas do mundo, de sua história, de suas coisas.
Recebi o conselho apenas. Não me vi escritor
de meu neto, no livro especial para o menino.
Venho assistindo, devagar, aos acontecimentos da vida dele, curtindo a
meu modo a arte de ser avô. Venho guardando comigo as delícias e os sentimentos
da mais nova trajetória de minha vida, e, também, venho criando brincadeiras
para gastá-las com o menino – e olhem que ele curte muito – ainda que pareçam desprovidas
de graça, ridículas, irritantes e fora de contexto. Cá entre nós: acho que o
menino não pensa nada a respeito disto, a olhar a cara de alegria e o riso
irrestrito a que ele se entrega. É uma arte e tanto, confesso.
Hoje, após o primeiro texto escrito – Carta
ao menino – quando ele nasceu, em
fevereiro de 2013, volto a escrever sobre o nosso querido Theo, em peripécias
que envolvem seus pais. Como é bom ver os pais aprendizes a lidar com a questão
do afeto, do cuidar, do educar no sentido mais profundo do tema. É de orgulho
minha prosa. É de alegria o correr da pena a falar de uma cena a que assisti
recentemente, na casa de meu neto, à beira do berço.
O pai do menino, meu genro, é tão tímido
quanto é o seu imenso caráter e o coração. Ele é quieto, observador contumaz,
cauteloso. É também amoroso até onde o amor possa levar. E assim, em companhia
de Liza Mirella, sua mulher, minha filha, a mãe do menino, vão educando o
pequeno encantador de gente grande, a sua maneira.
Pois bem: incentivado pela mulher, lá foi o
pai pegar um de seus diversos violões para demonstrar aos avós do guri, o
quanto o menino curte música. E, timidamente dedilhou e, de repente, de
compasso em compasso, o som invadiu o quarto, tomou conta do berço, já todo
agitado com a alegria demonstrada pelo pequeno baladeiro de berço, a dançar
voluptuosamente em seu território de dormir. Um frenesi tomou conta da criança,
e os pais, ali, em seu modo de ser, curtiam o que os avós, em segundo estágio,
deixavam-se embalar pelo ritmo e melodia que emanava do lugar.
A mãe, também tímida, mas de leveza de corpo
e de movimento para a dança – algo de que sempre gostou - não perdeu seu lugar de produtora de som e
mandou um ritmo em inglês, para o delírio do filho – e alegria dos pais. Por
que não?
Aparentemente, algo simples. Coisas que
acontecem no interior das casas, quando os pais, a sua maneira, gerenciam o
amor por seus pupilos. Às vezes, longe do convívio dos parentes. A cena a que
assistimos, além de emocionar os avós todo o encantamento produzido pelos netos
é bem vinda, é linda, é permissível – faz com que se note que o afeto, o
carinho, o tratamento de filho é algo construído no cotidiano, entre seus pais
que, assim, passam valores, gostos, incentivos, estímulos e influências a suas
crias.
Acredito que, agora, na melhor idade, como
cidadão sexagenário, os pais mais jovens, com seus talentos, podem ensinar a
gente – que teve um tempo limitado para embalar os filhotes – como é boa e
desejada a felicidade que se constroi, seja num canto da casa, seja no canto à
beira do berço: o que importa é a alegria de viver que o fato gera ao menino.
Notas musicais afinadas e uma honraria em mil
compassos a vocês Liza Mirella e Paulinho pela felicidade em serem pais com
amor embalado, de ritmo alegre e colcheias, fusas andantes de alegria.





