
Tecia-se a vida na escola, nas
brincadeiras infantis, na ajuda em casa, na “panha” do algodão, no amendoim
raleado e café catado, para sobreviver.
Chegou um final de ano. Desses que
param as pessoas à celebração dum ciclo e, com ele, a passagem do tempo e das
conquistas, expressa pelo famoso “amigo-secreto”.
Na escola, Esmeralda e a turma
cultivavam os momentos daquele primeiro amigo-secreto. Ela, a boa menina,
esmerou no presente de sua amiga, apesar dos recursos parcos e foi-se para as
emoções da vida em grupo, sempre a pensar em quem seria a sua ou o seu
amigo-secreto.
E era ele: Justo, um garoto de
posses e bem apessoado. Justo embrulhou a esperança de Esmeralda num belo
pacote e nele colocou uma pedra qualquer de rua, guarnecida com duas balas de
hortelã. A pedra de Esmeralda era apenas um presente frio, inválido, seco, tal
qual Justo, o pobre menino rico, a brincar com os sentimentos alheios.
Esmeralda cresceu, progrediu, venceu
na vida, e, apesar das pedras e das adversidades, ela mantém o ideal de vida.
Entretanto, quando se trata de amigo-secreto,
a pedra fria ainda lhe estremece o coração.
Gostei muito do texto. A infância é o melhor período por que passamos. Muitas vezes doloroso, mas necessário para o crescimento. Na maioria das vezes de alegrias simples, também necessárias para o crescimento. Mas há coisas que não se consegue esquecer e que pode nos acompanhar pela vida afora. Esmeralda, menina rica, menina pobre, mulher real, que se constrói pedra por pedra.
ResponderExcluirBelas considerações, Sílvia.
ExcluirQue há pedras no caminho, ninguém deva se enganar, no entanto, na infância, estas (quem sabe) podem construir escadas para a gente passar, subir, como podem ferir, machucar, danar.
Esmeralda, no entanto, soube esquivar-se do frio presente e, como a esmeralda, brilhar em sua verdura natural.
Um abraço.