Um dia bem distante, a pequena e
laboriosa cidade despertava de sua rotina: vida pacata, o ir e vir lento do
interior, observado por olhares espiões dentre as janelas. Tudo estava acomodado
em seu lugar.

A população voltou sua vida ao
centro do mistério. A curiosidade apressava a ida ao local do acontecimento
misterioso. Crianças, mulheres, trabalhadores, autoridades corriam num frenesi
incontrolável. Corria-se para a “terra dos pés juntos” da forma como se podia:
de bicicleta, de perua, a pé, de carona, de charrete. Importava, àquela época,
conferir a estranha novidade.
O administrador do cemitério não
sabia mais o que fazer, nem o que responder aos curiosos e à imprensa – àquela
época apenas uma rádio e um jornal semanal na cidade.
Quando tudo parecia ameaçar a
tranqüilidade da cidade – e da Chácara do Marcelino – como era nomeado o lugar
do descanso - chegou a informação oficial: a carne que “brotava dos túmulos” era
o excesso de peso de um avião, que transportava o produto de um frigorífico da
região a São Paulo, lançando o sobejo sobre o lugar do repouso e do descanso dos
falecidos da pequena Mirandópolis.
São José do Rio Preto, fevereiro
de 2013.
Texto original publicado no
Jornal Bom Dia – em 2008.
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