Era a final
do campeonato paulista de futebol. O domingo, seis de maio de dois mil e sete,
guardou-se para abrir como um típico dia de outono paulistano. Uma onda
santista invadiu as ruas da maior cidade brasileira, pintando de branco e preto
suas ruas, praças, pessoas, carros, ônibus, ambulantes, até mesmo o imponente
estádio tricolor rendeu-se ao tom alvinegro, tudo como se fora apenas um o time
a disputar o título.
A alegria
tomou conta da torcida. Homens, mulheres, crianças transitavam pelas cercanias
do Morumbi à procura da vitória do time da baixada, melhor dizendo, o time da
virada, o time do amor, como soavam as palavras dos coros que se erguiam
naquele certame.

Bandeiras e
camisas tremulavam à espera de mãos que as agitassem ou de corpos que as
vestissem, assim como as faixas de campeão abriam-se para coroar os torcedores
em sua alegria e confiança antecipadas.
O
policiamento perfilava-se garboso munido de todo o aparato necessário a um dia
de parada, desses como se fora para brindar a chegada de um Chefe de Estado, a observar
a torcida que passava e cantava segura e alegre. Reis, rainhas, e outros nobres
por um dia de glória.
Nas mesmas
ruas, guardadores de carros, tomados por “flanelinhas” perseguiam os carros que
tentavam estacionar no espaço público, à busca de mais clientes, à taxa antecipada de dez reais pelo serviço,
sem pechincha alguma.
Guardiões das
ruas! Um placar de difícil reversão àquela hora. O estádio ali à frente,
engolindo a torcida que cantava alegremente, vibrante e ainda mais confiante.
Que importava, pois, a rua, o ir e vir, a extorsão, a cidadania e a flanela?
Dane-se o constituído.
Pagar e
confiar era a solução. Importava ver o Santos bi-campeão paulista!
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